Letters to my Children

Pra sonhar

Nolan,
4 de Outubro de 2018.
 
E quando eu tento desacelerar, quando eu tento me convencer de que o tempo está me dando trela, você decide me provar de que não é mais o meu bebê. Confesso que senti uma mistura de orgulho com tristeza. Orgulho, por você ter decidido – hoje – a dormir na cama sozinho. Não deu piti. Não tive que rezar aquela oração do anjo da guarda cinco vezes até você pegar no sono, e nem ler livro cheio de palavras que nem sei pronunciar. Eu te coloquei no berço, você saiu, foi pra cama, se aninhou entre o cobertor macio e dormiu. Orgulho misturado com um aperto no coração. Tristeza por você deixar o berço, e com ele a sensação de que eu tinha dois bebês em casa. Incrivel como uma mudança natural, que é o crescimento de uma pessoa, o desenvolvimento esperado, pode mexer tanto com o emocional de uma mãe. E você não apenas dormiu na cama, como também tentou balbuciar uma palavra quando fui te fazer um cafuné. Mostrou a lingua, mexeu na lingua, e falou. Sabe-se lá o quê, mas você falou. Russo talvez. Mas falou. Continue conectando o rádio, meu menino. Tente a estação do Brasil da próxima vez. Você já me entende em Português e isso me enche o coração de alegria. Falta pouco, meu amor. Mal posso esperar pra ouvir todas as histórias que você vai me contar, antes de dormir, na sua cama. Que seja Russo, Japonês ou em Mandarim. Mas fala, meu menino. Me conta tudo. Quais são seus sonhos? #ossonhosdonolan
 
Com amor,
mamãe
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