Letters to my Children

Benção, filho.

Nolan,
Coloquei o berço pra vender. Você está tão feliz que se livrou do berço que nem se incomoda de dormir no chão. Tapete, chão, colchonete. Aos seus olhos, qualquer lugar é melhor que o berço. Ou será que você quis fazer companhia pro Bear, seu companheiro de sonecas? Seu mundo ampliou, e você já não se sente inseguro. Você quer explorar o mundo. Dias atrás estávamos no parque e você correu tão rápido, mais rápido que eu não consegui te alcançar. Gritei que nem uma maluca pra você ir devagar. Gritei em português, gritei em inglês, e perdi as estribeiras e até xinguei em italiano. Você foi parar no estacionamento e eu quase tive um princípio de enfarto, corri que nem uma doida pra te alcançar, e a Giulia provavelmente achou que eu estava brincando de formula 1 com o wagon que carregava ela. Não foi bacana dar esse susto em mim, filho. Envelheci provavelmente exatos 23 anos nesses 4 minutos em que você correu pra longe de mim. Menos, filho, menos. Não estou preparada, e já aviso que jamais terei essa mentalidade americana que aos 18 anos você vai sair de casa pra ir pra faculdade e não vai nunca mais morar comigo. Mas vamos mudar de assunto, porque só de falar já sinto um nó na garganta. Vamos falar de agora, que é o que temos. Quero que você saiba o quanto você é doce comigo antes de dormir. Você me olha nos olhos e sorri quase todas as vezes quando deita na sua cama. Aí você pega suas mãozinhas e passa lentamente na minha cabeça, olhando nos meus olhos e sorrindo. Como se estivesse me benzendo, ou me dando um passe espirita. E eu, sorrio de volta, sempre dizendo: “benção filho, benção”. Você é mesmo um ser especial.
Te amo,
Mamãe.
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Pra sonhar
Nolan, 4 de Outubro de 2018.   E quando eu tento desacelerar, quando eu tento me convencer de que o tempo está me dando trela, [...]
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